Mariana, sempre foi um celeiro de renomados músicos. Na qualidade singular de Primeira Cidade e sede do Primeiro Bispado em Minas Gerais, desde os seus primórdios, Mariana assistiu, especialmente na música sacra, a uma infinidade de cânticos e composições do mais apurado gosto musical.
O Canto Gregoriano e as muitas obras importadas da Europa, inspiraram os compositores locais. O seu famoso Órgão Alemão, Arp Schnigter, sempre deu o tom do fino atrativo pela música. Até os sinos das altas torres dos templos marianenses, ressoam com maviosidade.
Se nas artes plásticas, no refino do barroco, estavam a produzir Aleijadinho, José Pereira Arouca, Manoel da Costa Athayde e tantos outros expressivos artistas, na música, nomes talvez desconhecidos, muitas vezes por não ser a música uma arte palpável, produziam verdadeiras e monumentais obras de arte.
Não é à toa que José Joaquim Emérico Lobo de Mesquita, talvez o maior dos compositores da época barroca, é mineiro. Do Serro, sua terra natal, as suas obras chegaram facilmente à Capital da Província e Sede do Bispado, para daí galgar todas as Minas Gerais e outras Províncias.
Não é à toa também que Mariana, em sua Igreja Catedral (a mesma onde está o Arp Schnigter), tem as belas estalas do Cabido Catedrático, em estilo chinês, influência da Ilha de Macau, onde os Cônegos recitavam, em verdadeira harmonia, os cânticos gregorianos, das Vésperas, Matinas e Laudas.
No Seminário de Mariana, mais antiga instituição de formação do Clero Mineiro (sua fundação é de 1748), a música sempre foi estudada e respeitada como oração fervorosa.
Muitos Padres foram verdadeiramente grandes instrumentistas e compositores, e deixaram inúmeras obras apreciadas em várias partes de Minas, do Brasil e da Europa.
Entre o Clero Marianense, não se pode deixar de mencionar o grande Padre João de Deus Castro Lobo, que teve em Ouro Preto o seu berço e em Mariana a sua eterna morada, na Igreja de São Francisco de Assis, onde exerceu as funções de Organista, no antigo órgão de tubos que existiu naquela Igreja. Morto em 1832, muito jovem, aos 38 anos de idade, viveu todos os seus poucos anos, fazendo da música um de seus apostolados. Mestre de Capela da Catedral, compôs muito e compôs muito bem, cerca de 40 (quarenta) obras completas, entre elas se destacando a Missa e Credo a Oito Vozes, que na década de 1980, foi estudada e gravada em “long play” pela Associação de Canto Coral – Camerata Rio de Janeiro, e por esta mesma Associação apresentada nos refinados palcos da Europa. .
Padre João de Deus Castro Lobo, com a sua genialidade, além de Missas, Setenários, Motetos e Novenas completas, deixou também os belíssimos “Responsórios”, tocados e cantados nas cerimônias fúnebres, onde a harmonia e a melodia, a todos contristava e emocionava e até hoje agem da mesma forma, a cada execução.
Toda essa história e a memória viva dessas composições foram, em muito boa hora, resgatadas e conservadas pelo grande Arcebispo de Mariana, Dom Oscar de Oliveira, que em 1972 recolheu nos coros e porões das bicentenárias igrejas de Mariana e de toda a Arquidiocese, partituras, muitas delas originais, que se encontravam em caixotes de madeira, e organizou e fundou o “Museu da Música”, primeiro do Brasil no gênero.
Entre as mais famosas obras cuidadosamente conservadas neste Museu, está o “Te Deum” encomendado pela Coroa em celebração ao malogro da Inconfidência Mineira, como também está a partitura original e autografada por José Joaquim Emérico Lobo de Mesquita, intitulada “Tércio”, de 1783, sendo a mais antiga partitura encontrada no Brasil.
Hoje, o “Museu da Música”está devidamente instalado e aparelhado no “Antigo Palácio dos Bispos” graças a eficiência de atuação da Fundação Cultural da Arquidiocese de Mariana, que tem como Presidente Executivo o Prof. Roque José de Oliveira Camello.
Mariana é verdadeiramente uma “arte para o céu”, na arquitetura, na poesia, na pintura, na escultura, e especialmente na música... É um relicário, um celeiro de grandes artistas e muito deles viveram e alguns ainda vivem no anonimato, mas as sua obras não estão esquecidas.
Outros exemplos da tradição musical de Mariana, são as instituições que se dedicam à cultura musical e que a seguir serão listada.
Mariana abriga as seguintes corporações musicais:
Na sede do Município:
. Sociedade Musical União XV de Novembro;
. Sociedade Musical São Vicente de Paulo;
. Sociedade Musical 16 de Julho;
Nos Distritos:
. Sociedade Musical Santa Cecília, de Passagem de Mariana;
. Sociedade Musical São Sebastião, de Passagem de Mariana;
. Sociedade Musical N. Sra. do Rosário, de Padre Viegas;
. Sociedade Musical São Caetano, de Mons. Horta;
. Sociedade Musical Bom Jesus do Monte, de Furquim;
. Sociedade São Sebastião, de Cláudio Manoel;
. Sociedade Musical São Sebastião, de Bandeirantes;
Os Grupos Corais e Instrumentais devidamente organizados, são:
Na sede do Município:
. Madrigal Mariana, filiado à Casa de Cultura de Mariana;
. Coral Canarinhos de Santana;
. Coral Luz em Sol Maior;
. Coral Família;
. Coral Amigos;
. Coral Univozes;
. Coral Cantarolando, da Escola Estadual Profa. Santa Godoy;
. Coral da Escola Estadual Dr. Gomes Freire;
. Coral da Escola Dom Viçoso;
. Coral do “Recriavida”, vinculado à Secretaria Municipal de Ação Social;
. Coral Vozes da Apae, vinculado à APAE/Mariana;
. Grupo Rouxinol de Canto;
. Coral Allegretto, vinculado à Orquestra e Coro Mestre Vicente;
. Coral Tom Maior, fundado em 2007, vinculado à Orquestra e Coro Mestre Vicente;
. Coro Feminino Sylvinha Araújo, vinculado à Orquestra e Coro Mestre Vicente;
. Grupo Kumbayah, vinculado à Orquestra e Coro Mestre Vicente;
. Quarteto “Strumenttinni;
. Orquestra da Fundação Cultural da Arquidiocese de Mariana;
. Orquestra e Coro Mestre Vicente.
Nos Distritos:
. Coral N. Sra. da Glória, de Passagem de Mariana;
. Coral Amor e Aliança, de Passagem de Mariana;
. Orquestra Santa Cecília, de Passagem de Mariana;
. Coral N. Sra. do Rosário, de Pe. Viegas;
. Coral Somos D`Ouro, de Pe. Viegas.
São inúmeros os grupos não devidamente organizados, mas que exercem importante papel sócio-cultural-religioso, nas comunidades onde atuam. A Orquestra e Coro está empenhada no cadastro destes Grupos e no incentivo às suas regulares organizações. Da mesma forma, a Orquestra e Coro pede escusas se deixou de relacionar algum grupo devidamente organizado, pedindo aos seus responsáveis o obséquio de contato, para a devida inclusão.
Mas, Mariana, de fato é uma “Cidade-Musical”, uma “Arte para o Céu”!